Para cada “sim”, é preciso existir um “não”

psicarolcruz • 13 de janeiro de 2026

Escolhas, renúncias e responsabilidade

Toda escolha implica uma renúncia. Dizer “sim” a um caminho significa, inevitavelmente, dizer “não” a outros. Por isso, escolher é uma experiência exigente, que nos confronta com limites, perdas e responsabilidades, ao mesmo tempo em que nos movimenta e nos coloca em direção ao que faz sentido.

Escolher “x” é abrir mão de “y” — e também das possibilidades, expectativas e fantasias que “y” poderia oferecer. Esse processo não é simples, pois nos coloca diante daquilo que deixamos para trás e nos convoca a sustentar as consequências do que foi escolhido.


Escolher é sair de cima do muro

Aquele que decide, que sai da posição de indecisão, escolhe se movimentar. Abandona a paralisia e assume a chamada “estrada real”: um caminho onde estão presentes a liberdade, o desejo, o pesar, a dúvida e a responsabilidade. É nesse território que a vida acontece de forma mais autêntica, ainda que menos confortável.

Evitar a escolha, muitas vezes, parece mais seguro. No entanto, a não decisão também é uma forma de decidir — apenas de maneira passiva. Como aponta Irvin Yalom (psiquiatra, psicoterapeuta e escritor norte-americano), os dilemas envolvidos no processo de decisão despertam a angústia da liberdade, levando muitas pessoas a delegarem suas escolhas ao outro, ao ambiente ou às circunstâncias, como se isso as isentasse de responsabilidade.

O que nem sempre se percebe é que, ao esperar que o outro decida, já se está escolhendo: escolhe-se não agir, não assumir o próprio tempo e não sustentar as experiências que um caminho exige.


De quem é a sua vida?

Algumas perguntas se tornam inevitáveis:

  • Você está satisfeito(a) com as decisões que tem tomado?
  • Ou com a forma como tem deixado que decidam por você?
  • Você se conduz ou é conduzido?
  • A sua vida está nas mãos de quem?


Enquanto a responsabilidade pelas escolhas for atribuída apenas ao outro ou ao contexto, a mudança tende a não acontecer, pois o foco permanece fora de si. A transformação começa quando se reconhece o próprio papel ativo na construção da própria história.


Assumir escolhas também é amadurecer

Tomar uma decisão e sustentar o caminho escolhido não significa ausência de medo ou dúvida. Significa, antes, assumir a autoria da própria vida. Reconhecer como se chegou até determinada escolha e agir de forma coerente com ela é um movimento de amadurecimento emocional.

A psicoterapia pode auxiliar nesse processo, oferecendo um espaço de reflexão sobre escolhas, impasses, responsabilidades e desejos, ajudando a pessoa a sair da paralisia e a se posicionar de forma mais consciente diante da própria vida.


Carol Cruz   Psicóloga Clínica – Atendimento psicológico para adolescentes e adultos

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