Para cada “sim”, é preciso existir um “não”
Escolhas, renúncias e responsabilidade
Toda escolha implica uma renúncia. Dizer “sim” a um caminho significa, inevitavelmente, dizer “não” a outros. Por isso, escolher é uma experiência exigente, que nos confronta com limites, perdas e responsabilidades, ao mesmo tempo em que nos movimenta e nos coloca em direção ao que faz sentido.
Escolher “x” é abrir mão de “y” — e também das possibilidades, expectativas e fantasias que “y” poderia oferecer. Esse processo não é simples, pois nos coloca diante daquilo que deixamos para trás e nos convoca a sustentar as consequências do que foi escolhido.
Escolher é sair de cima do muro
Aquele que decide, que sai da posição de indecisão, escolhe se movimentar. Abandona a paralisia e assume a chamada “estrada real”: um caminho onde estão presentes a liberdade, o desejo, o pesar, a dúvida e a responsabilidade. É nesse território que a vida acontece de forma mais autêntica, ainda que menos confortável.
Evitar a escolha, muitas vezes, parece mais seguro. No entanto, a não decisão também é uma forma de decidir — apenas de maneira passiva. Como aponta Irvin Yalom (psiquiatra, psicoterapeuta e escritor norte-americano), os dilemas envolvidos no processo de decisão despertam a angústia da liberdade, levando muitas pessoas a delegarem suas escolhas ao outro, ao ambiente ou às circunstâncias, como se isso as isentasse de responsabilidade.
O que nem sempre se percebe é que, ao esperar que o outro decida, já se está escolhendo: escolhe-se não agir, não assumir o próprio tempo e não sustentar as experiências que um caminho exige.
De quem é a sua vida?
Algumas perguntas se tornam inevitáveis:
- Você está satisfeito(a) com as decisões que tem tomado?
- Ou com a forma como tem deixado que decidam por você?
- Você se conduz ou é conduzido?
- A sua vida está nas mãos de quem?
Enquanto a responsabilidade pelas escolhas for atribuída apenas ao outro ou ao contexto, a mudança tende a não acontecer, pois o foco permanece fora de si. A transformação começa quando se reconhece o próprio papel ativo na construção da própria história.
Assumir escolhas também é amadurecer
Tomar uma decisão e sustentar o caminho escolhido não significa ausência de medo ou dúvida. Significa, antes, assumir a autoria da própria vida. Reconhecer como se chegou até determinada escolha e agir de forma coerente com ela é um movimento de amadurecimento emocional.
A psicoterapia pode auxiliar nesse processo, oferecendo um espaço de reflexão sobre escolhas, impasses, responsabilidades e desejos, ajudando a pessoa a sair da paralisia e a se posicionar de forma mais consciente diante da própria vida.
Carol Cruz Psicóloga Clínica – Atendimento psicológico para adolescentes e adultos









