Fake news e saúde mental
Como a desinformação afeta emoções, decisões e relações

Vivemos em uma era de hiperconectividade. A informação circula em tempo real e chega até nós por notificações, mensagens e redes sociais. No entanto, essa velocidade trouxe um fenômeno preocupante: a disseminação massiva de notícias falsas. Um levantamento da plataforma Avaaz revelou que os brasileiros estão entre os que mais acreditam em fake news no mundo. Segundo a pesquisa, 7 em cada 10 brasileiros se informam pelas redes sociais e 62% já acreditaram em alguma notícia falsa. Essas informações indicam que a desinformação tem prejudicado inclusive a saúde e a segurança da população (Ribeiro, 2019). Mais do que um problema informacional, as fake news têm impacto direto na saúde mental.
Por que acreditamos em notícias falsas?
O cérebro humano busca rapidez e economia de energia ao processar informações. Para isso, utilizamos atalhos mentais chamados heurísticas cognitivas. Quando uma notícia confirma crenças prévias ou provoca emoções intensas, tendemos a aceitá-la sem verificação. Estudos sobre comportamento informacional indicam que conteúdos emocionalmente carregados — especialmente aqueles que despertam medo ou indignação — têm maior probabilidade de serem compartilhados e considerados verdadeiros (Pennycook & Rand, 2020).
Além disso, o viés de confirmação leva as pessoas a acreditar no que reforça suas convicções, mesmo sem evidências.
O impacto emocional das fake news
A exposição constante à desinformação pode gerar:
- aumento da ansiedade e sensação de ameaça constante
- medo e insegurança diante do futuro
- irritabilidade e polarização emocional
- desconfiança nas relações sociais
- sensação de perda de controle sobre a realidade
Pesquisas em saúde coletiva indicam que a exposição contínua a informações alarmistas está associada ao aumento do estresse psicológico e da percepção de risco (Garcia & Duarte, 2020). Quando o cérebro recebe mensagens frequentes de perigo, permanece em estado de alerta prolongado, dificultando o relaxamento e o equilíbrio emocional.
Redes sociais e a amplificação da desinformação
As redes sociais favorecem a disseminação rápida de conteúdos por meio de algoritmos que priorizam engajamento. Informações que provocam reações intensas tendem a alcançar maior visibilidade. Esse funcionamento cria bolhas informacionais, nas quais o usuário é exposto repetidamente a conteúdos semelhantes, reforçando crenças e reduzindo o pensamento crítico. Estudos sobre comunicação digital apontam que a repetição contínua de uma informação aumenta a sensação de familiaridade e pode levar à percepção de veracidade, mesmo quando o conteúdo é falso (Lewandowsky et al., 2012).
Como proteger sua saúde mental diante das fake news
Não é possível eliminar completamente a desinformação, mas é possível reduzir seus impactos emocionais.
1. Verifique antes de compartilhar - Busque a fonte original e confirme a informação em veículos confiáveis.
2. Observe o tom emocional - Notícias que provocam medo extremo ou indignação intensa merecem verificação cuidadosa.
3. Diversifique suas fontes - Consumir informações de diferentes veículos reduz o risco de viés informacional.
4. Limite o tempo nas redes sociais - Exposição excessiva aumenta ansiedade e sensação de ameaça constante.
5. Pratique pausas informacionais - Desconectar-se temporariamente ajuda o sistema nervoso a retornar ao equilíbrio.
O papel do pensamento crítico na saúde emocional
Desenvolver pensamento crítico não significa desconfiar de tudo, mas aprender a avaliar informações com consciência. Esse processo protege não apenas a qualidade das decisões, mas também o equilíbrio emocional. Ao reduzir a exposição a conteúdos alarmistas e verificar informações, diminuímos o estado de alerta constante e fortalecemos nossa sensação de segurança.
Quando buscar ajuda psicológica?
Se a exposição a notícias e conteúdos digitais estiver gerando:
- ansiedade persistente
- medo excessivo
- irritabilidade constante
- sensação de ameaça contínua
- conflitos nas relações
O acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender esses impactos e desenvolver estratégias de autorregulação emocional.
A saúde mental também depende da qualidade das informações que consumimos.
Carol Cruz Psicóloga Clínica - Atendimento psicológico para adolescentes e adultos
Clique aqui para agendar uma consulta ou saber mais sobre o atendimento.
Referências
Garcia, L. P., & Duarte, E. (2020). Infodemia: excesso de quantidade em detrimento da qualidade das informações sobre a COVID-19. Ciência & Saúde Coletiva, 25(suppl 1), 3321-3322. SciELO Brasil.
Lewandowsky, S., Ecker, U. K. H., Seifert, C. M., Schwarz, N., & Cook, J. (2012). Misinformation and its correction. Psychological Science in the Public Interest, 13(3), 106-131.
Pennycook, G., & Rand, D. G. (2020). Fighting misinformation on social media. Psychological Science, 31(7), 770-780.
Ribeiro, M. (2019). Brasileiros lideram ranking de crença em fake news. Avaaz.
Tasnim, S., Hossain, M. M., & Mazumder, H. (2020). Impact of rumors and misinformation. Asian Journal of Psychiatry, 51.











